terça-feira, 23 de setembro de 2008

A Lenda do Beija-Flor






Existiam duas tribos morando à beira de um rio: uma tribo maior e uma tribo menor.

A tribo menor plantava e pescava com muito afinco e, com isso,começou a ter mais peixe e maior abundância de alimentos. Isto gerou inveja na outra tribo, que começou a hostilizar seus vizinhos, primeiro com palavras, depois com gestos e por fim declararam guerra àqueles que, mesmo em menor número, eram mais trabalhadores e eficientes.


Indiferente a estas questões, dois jovens se enamoraram, porém cada qual pertencia a uma tribo. O rapaz pertencia à tribo menor e a jovem à tribo maior. Apesar da guerra, os dois se encontravam às escondidas, mas um dia os guerreiros da tribo da jovem a seguiram e os encontraram namorando. Depois de espancar o rapaz e pensando que ele já estivesse morto levaram a jovem de volta à tribo.


O Conselho dos Anciãos foi convocado para o julgamento da pobre jovem. A acusação era de traição, já que as tribos estavam em guerra e eles acreditavam que ela passava segredos para a outra tribo. A sentença era de morte, mas por ela ser muito jovem e bela, convocaram os Xamãs que resolveram transformá-la numa flor.


O rapaz, socorrido por seus guerreiros, sobreviveu ao espancamento e, tão logo se recuperou passou a procurar desesperadamente pela sua amada. Ele chamou os anciãos e anunciou que iria até a outra tribo em busca de seu amor. Eles não permitiram tremenda loucura e tentaram, de toda forma, impedi-lo. Afirmaram que na sua tribo existiam lindas moças que poderiam ser boa esposa e dar-lhe filhos fortes e saudáveis. O rapaz estava irredutível e os anciãos, vendo tamanha decisão e tristeza do jovem, chamaram os xamãs para ajudá-los. Depois de muito pensar e sabendo que a jovem amada tinha sido transformada em flor decidiram transformá-lo em Beija-Flor.

Segundo a lenda, é por isto que o Beija-Flor vai de flor em flor, sempre tentando achar a sua amada.


Em toda lenda índígena existe uma moral que os mais velhos ensinam aos mais novos e esta é que nunca se deve desistir do seu objetivo.

domingo, 14 de setembro de 2008

A pintura corporal


A pintura corporal para os indios tem sentidos diversos, não somente na vaidade, ou na busca pela estética perfeita, mas pelos valores que são considerados e transmitidos através desta arte. Entre muitas tribos a pintura corporal é utilizada como uma forma de distinguir a divisão interna dentro de uma determinada sociedade indígena, como uma forma de indicar os grupos sociais nela existentes, embora exista tribos que utilizam a pintura corporal segundo suas preferencias. Os materiais utilizados normalmente são tintas como o urucu que produz o vermelho, o genipapo da qual se adquire uma coloração azul marinho quase preto, o pó de carvão que é utilizado no corpo sobre uma camada de suco de pau-de-leite, e o calcáreo da qual se extrai a cor branca.

Invocações à lua





















os tupis consideravam as luas, cheia e nova, elementos auxiliares de Rudá, os deus do amor, e tinham invocações semelhantes às que cantavam aquele deus, e para o mesmo fim de trazer os amantes ao lar doméstico, pelo poder da saudade. Eram estas as invocações à lua cheia (cairé) e a lua nova (catiti):

Cairé, cairé nú
Manuára danú çanú
Eré ci erú
Piape amu
Omanuara ce recé
Quanhá pitúna pupé
Catiti, catiti

Imara notiá
Notiá imára
Espejú (fulano)
Emú manuára
Ce recé (fulana)
Cuçukui xa ikó
Ixé anhú i piá póra.

Cuja tradução, apesar da ignorância do sentido de alguns versos, é assim apresentada:

Eia, ó minha mãe (a lua) fazei chegar esta noite ao coração (do amante) a lembrança de mim.

Lua nova, ó lua nova! Assoprai em fulano lembranças de mim, eis-me aqui, estou em vossa presença; fazei com que eu tão somente ocupe seu coração.

RUDÁ









































Na mitologia tupi, é o deus do amor e do afeto. Vive nas nuvens e sua função é despertar o amor dentro do coração dos homens. “No começo havia a escuridão. Então nasceu o sol, Guaraci. Um dia ele ficou cansado e precisou dormir. Quando fechou os olhos tudo ficou escuro. Para iluminar a escuridão enquanto dormia, ele criou a lua, Jaci, tão bonita que imediatamente apaixonou-se por ela. Mas, quando o sol abria os olhos para admirar a lua, tudo se iluminava e ela desaparecia. Guaraci criou então o amor, Rudá, seu mensageiro, que não conhecia luz ou escuridão. Dia e noite, Rudá podia dizer à lua o quanto o sol era apaixonado por ela. Guaraci criou também muitas estrelas, seus irmãos, para que fizessem companhia a Jaci enquanto ele dormia. Assim nasceu o céu e todas as coisas que vivem lá.” (Adaptação de versão de Couto de Magalhães)

sábado, 13 de setembro de 2008

A lenda do Uirapuru

lenda-do-uirapuru.jpg

O desenho acima foi feito pra ilustrar A lenda do Uirapuru, que faz parte do livro O Pará e suas trilhas históricas, de Doralice Araújo.





Certo jovem, não muito belo, era admirado e desejado por todas as moças de sua tribo por tocar flauta maravilhosamente bem. Deram-lhe então o nome de Catuboré, (flauta encantada). Entre elas, a bela Mainá conseguiu o seu amor; casar-se-iam durante a primavera.
Certo dia, já próximo do grande dia, Catuboré foi à pesca e de lá não mais voltou. Saindo a tribo inteira à sua procura, encontraram-no sem vida à sombra de uma árvore, mordido por uma cobra venenosa.
Sepultaram-no no próprio local.
Mainá, desconsolada, passava várias horas a chorar sua grande perda.
A alma de Catuboré, sentindo o sofrimento de sua noiva, lamentava-se profundamente pelo seu infortúnio. Não podendo encontrar paz pediu ajuda ao Deus Tupã. Este então transformou a alma do jovem no pássaro Irapuru, que mesmo com escassa beleza possui um canto maravilhoso, semelhante ao som da flauta, para alegrar a alma de Mainá.
O cantar do Irapuru ainda hoje contagia com seu amor os outros pássaros e todos os seres da Natureza

Hoje a Felicidade Cantou!...


...E Tupã, o Grande Deus, quer silêncio na mata, ordena que o mágico pássaro desate a melodiosa voz…

O UIRAPURU













Lenda do pássaro da voz mais melodiosa da mata. Conta a história que um belo índio, disputado por todas as jovens da tribo, foi morto por seu rival. Mas como que por encanto, o corpo desapareceu, transformado num pássaro invisível. Desse dia em diante, apaixonadas e saudosas as índias ouviam apenas um canto maravilhoso, povoando de harmonias os ermos da floresta, mas que afastava-se sempre que elas o perseguiam. Era o belo índio que haviam perdido para sempre, encantado no pássaro da voz mais melodiosa da mata. Era o Uirapuru.


O uirapuru é um pássaro típico do norte do país, onde existe uma lenda de que todos os outros pássaros param de cantar para ouvi-lo.

Vive na parte baixa da floresta. Come frutas, mas, principalmente, insetos.

Após uma época de seca e logo que começa a chover, as formigas taocas saem de seus formigueiros e atacam todos os pequenos seres que encontram. Isso gera uma movimentação desesperada de vários seres na floresta, chamando a atenção de vários pássaros, inclusive o uirapuru. É um banquete para todos os pássaros que comem formigas.

Enquanto os outros comem, o uirapuru canta. O seu canto, curto e forte, demonstra que ele está dominando o território.

Com um canto longo e melodioso, sua "intenção" é outra: a atração para acasalamento. Esses cantos duram de dez a quinze minutos ao amanhecer e ao anoitecer, na época de construção do ninho.

Durante o ano todo, o uirapuru canta apenas cerca de quinze dias.

"VIDA DE INDIO"


Na tribo ele vivia
Comendo raiz,
Caçando e pescando
Coletando feliz.

A oca é morada,
Cacique é o guerreiro,
Na taba onde ele mora
Pagé é o feiticeiro.

Suas armas são arco e flecha
O tacape também é usado
Mas o índio é pacífico,
Só revida quando é atacado.

O deus é Tupã,
A lua é Jaci,
A língua que ele fala
É o Tupi-guarani.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

AS AMAZONAS

Em 1542, Frei Gaspar de Carvajal, escrivão da frota espanhola de Francisco Orellana, ao penetrar num enorme rio brasileiro, que ele chamou de "Mar Dulce", encontrou mulheres guerreiras, tendo sido por elas atacado. O medo foi tanto que o frade escriba, ao vê-las jovens, belicosas, nuas, chegou a afirmar que queimavam um dos seios para melhor manejar o arco e a flecha. Confundiu-as com o mito grego das Amazonas. E o grande rio foi batizado como: - o rio das Amazonas, rio Amazonas. Contam que no Reino das Pedras Verdes somente vivem mulheres - as Amazonas. Trabalham muito. Caçam, pescam. Fazem cerâmica. Redes, tecido, enfeitados de penas. Trabalham na roça. Fazem armas. É uma comunidade onde todos possuem tudo em comum. A direção está nas mãos de uma das Amazonas, que exerce também função religiosa, dirigindo as festas. Seu reinado é curto, somente as virgens de vinte a vinte e cinco anos podem disputar a chefia das Amazonas. A cada cinco luas cheias, no mês de abril (cinco anos), há renovação do comando das Amazonas. As Amazonas fazem um amuleto famoso - o muiraquitã. É uma raridade, os próprios índios afirmam que não sabem como fabricá-lo. Dizem que o muiraquitã vem de um lugar muito distante, da terra das mulheres sem marido, do país das mulheres guerreiras ... Em um lago enorme - jaci-uaruá, no mês de abril de todos os anos, quando a lua cheia aparece, as Amazonas mergulham no lago e do fundo trazem um punhado de barro. Com este barro limoso modelam figuras: peixes, rãs, tartarugas. O mais comum é a rã, símbolo de fertilidade. O amuleto é perfurado para ser usado no pescoço. O barro tem que ser modelado depressa, ainda debaixo da água, porque o luar faz endurecer o limo verde. Nesta mesma noite elas recebem a visita dos homens de uma tribo vizinha. É a noite nupcial. Só os índios que já lhe deram uma filha recebem o muiraquitã. Os que lhes deram um filho terão que levar o menino para a sua aldeia porque entre as Amazonas só vivem mulheres. Os índios contam assim. Hoje mulheres parecidas com estas amazonas existem na tribo Kayapó. As mulheres são iguais aos homens na tribo. As mulheres são soldados. É possivel que as mulheres tivessem estado presentes no Amazonas de Carvajal.
* fonte: BRASIL, histórias, costumes e lendas - São Paulo: Editora Três Ltda.

Curupira


























O Curupira é um indiozinho peludo, com os cabelos compridos e vermelhos, e pés virados para trás, protetor das plantas e animais das florestas. Vive montado em um porco do mato e tem um cachorro chamado Papamel, de que não se separa; ao ver alguém na mata, avisa-o, cantando. Também dizem que se disfarça e ilude o caçador que o persegue, fazendo-o embrenhar-se na mata até se perder e morrer de fome.

Os pés virados para trás servem para despistar os caçadores, que seguiriam rastros falsos até se perder na mata. Só os que caçam por necessidade são protegidos.

É também conhecido como caipora ou caapora e protege as fêmeas grávidas e os filhotes de todo tipo de animal. Os caçadores que temem o curupira não perseguem estes bichos e não caçam à sexta-feira em noite de luar e nem aos domingos e dias santos. Para agradar esta criatura das matas, os índios costumavam deixar-lhe presentes nas florestas, como penas, esteiras e cobertores.

Dicionário
Tupi-Guarani

A lenda da Iara, a Sereia


Uma sereia é uma mulher com rabo de peixe. No mundo inteiro, ouvem-se histórias de sereias que vivem no mar, em lagos e rios, encantando os homens com canções sedutoras. A Iara vivia num lago escondido no meio da floresta. Era muito bonita. Tinha cabelos negros muito longos e olhos tão verdes quanto a água do lago. A sereia cantava as suas músicas estranhas, deitada sobre uma pedra, apanhando o Sol como tal como todas as meninas gostam de fazer. Um índio chamado Jaguarari caçava na floresta quando ouviu aquele som maravilhoso que vinha detrás das árvores. Escondendo-se atrás de um arbusto, espiou a moça. Só conseguia observar da cintura para cima, não vendo o seu rabo de peixe FURTA-COR. Ficou lá ouvindo a cantoria até adormecer enfeitiçado. Quando acordou, a moça não se encontrava mais lá.

O rapaz voltou para a aldeia muito triste por não ter tido coragem de falar com ela. Não sabia o seu nome, nem de onde vinha. Desde aquele dia, passou a procurar a moça nas tribos das redondezas. Ninguém sabia de uma menina tão bela que cantasse músicas tão lindas. Decidiu voltar para o lago pois ela poderia aparecer por lá. O índio era o mais belo dos rapazes. Era forte, alto, um grande caçador. Sabia tudo de plantas e animais. Todas as moças queriam casar com ele. Mas o moço só pensava na desconhecida. Um dia, a sereiazinha apareceu nadando no lago e então ele pôde ver um rabo de peixe enorme batendo na água. Não podia acreditar que a moça era uma sereia. Nunca tinha visto uma, só tinha ouvido lendas muito antigas contadas pelos seus antepassados. Ela começou a cantar aquelas melodias estonteantes e ele ficou ainda mais apaixonado. Aproximando-se do rapaz, disse que se chamava Iara. Convidou-o para nadar com ela. Não sabia que ele era diferente. Nunca tinha visto um homem também. Quase arrastou o Jaguarari para o fundo do lago. O moço apaixonado explicou que poderia morrer afogado. Assustada, Iara desapareceu no lago. O coitado nunca mais teve sossego. Só pensava na amada. Não queria saber de caçar ou pescar, só queria vê-la outra vez. Não queria mais viver sem ela. Remava dia e noite pelos lagos daquela imensa floresta até o dia que, numa noite de luar, a sua canoa desapareceu. Aquela estranha canção podia ser ouvida por toda a parte. Era Uma canção feliz. Dizem que Iara levou o Jaguarari para sempre.

A lenda do Biguá






















Os índios guaranis contam que Mbiguá era um guerreiro que vivia feliz com sua esposa Yerutí em uma aldeia às margens do rio Mirinãy, afluente argentino do rio Uruguai.
A beleza de Yerutí despertou a cobiça de Capiberá, que a raptou e fugiu em uma canoa. Mbiguá perseguiu e matou Capiberá, mas Yerutí havia desaparecido. Desesperado, Mbiguá a procurou na mata e ao longo do rio, sem encontrá-la. Apenas o eco respondia a seus chamados. Vencido, Mbiguá jogou-se no rio, convencido de que Yerutí havia se afogado. Pouco tempo depois, os índios de sua tribo notaram uma ave de plumagem negra que voava insistentemente sobre as águas do Miriñay. O feiticeiro da tribo explicou então que Mbiguá havia se transformado na ave que continuava buscando sua amada Yerutí.

A Gruta dos Amores
















Itanhantã era um belo e forte índio tamoio, que provia o seu povo com a caça e a pesca que trazia para ele. Itanhantã remava, todos os dias, a sua canoa rumo à ilha de Paquetá. Na ilha caçava os mais perigosos animais, que tombavam diante das suas flechas certeiras.
Em Paquetá vivia Poranga, uma bela índia, que no esplendor dos seus quinze anos, encheu-se de amor pelo viril caçador. Apaixonada, a índia ajudava o amado, indo buscar-lhe a caça abatida. Olhava-o com ternura, falava-lhe com doçura, mas o valente caçador não lhe via os sentimentos, não se comovia com o amor e dedicação da índia.
Todos os dias, depois de caçar intensamente, Itanhantã repousava o corpo na sombra de uma gruta, adormecendo, até recuperar as forças. A pobre índia apaixonada, velava do alto da pedra que formava a gruta, o sono repousante do amado. Chorava as mais tristes lágrimas do amor não correspondido, que corriam pela pedra. Enquanto chorava, ou esperava pela vinda do amado, Poranga entoava o mais belo canto de amor, que ecoava por toda Paquetá.
O tempo passou, as lágrimas e o canto da bela índia não enterneceram o coração de Itanhantã, que continuava a caçar e repousar em Paquetá. Tantas foram as lágrimas de Poranga, que elas abriram a pedra da gruta, transpassando-a, vindo um dia, a cair sobre o rosto do tamoio. Assustado com aquela água que lhe molhou os olhos, Itanhantã fugiu da gruta, vindo a encontrar Poranga no caminho. Diante dos olhos lavados pela água da gruta, Itanhantã descobriu no rosto da índia a mais perene beleza, e no seu olhar, o amor eterno. Apaixonado, Itanhantã tomou Poranga nos seus braços e a beijou. Depois levou a índia na sua canoa, tomando-a como esposa, sendo felizes para sempre.
As lágrimas de Poranga transformaram-se na fonte da água que existe na Gruta dos Amores, em Paquetá. Até os dias de hoje, em Paquetá, quem beber da água da Gruta dos Amores ao lado da pessoa amada, terá o seu amor para sempre.

Ilustração: José Lanzellotti

terça-feira, 9 de setembro de 2008

DUAS LÍNGUAS*


Vivi muitos anos com a língua entortada,
porque fui obrigado a falar palavras estranhas de uma outra língua.
Queriam que eu falasse uma língua que eu não falava,
que eu dissesse o que não dizia, que eu calasse o que sabia.

Por isso, durante muito tempo fiquei emudecido.
A língua presa, travada, reprimida.
A palavra entalada na garganta, o não-dito.

Tentaram tirar de mim aquilo que havia guardado como um tesouro:
a palavra, que é o arco da memória.
Diziam que me faltava inteligência,
porque antes de gaguejar as palavras certas
eu tinha de pensar, duas vezes, numa língua estranha.

O tempo passou. Agora, tenho duas línguas.

Uma língua nasceu comigo, no colo da minha mãe.
É a língua que expressa a alma guarani.
É a língua do tekoha, da opy,
onde as palavras se abrem em flor e se convertem em sabedoria,
as belas palavras, nhe´en porãngue´i,
palavras indestrutíveis, sem mal, ayvu marã´ey.
O nome que tenho, foi ela quem me deu na cerimônia do Nhemongarai.
É nela que ouço as divinas palavras do maino´i.
Com ela nomeio as plantas, as flores, os pássaros, os peixes,
os rios e as pedras, o sol e a chuva, a roça e a caça.
Com ela, faço soar o mbaraka, aspiro o pityngua,
danço xondaro, canto pra Nhanderu e rezo nhembo´e.
Bebo kaguy, como avaxi e jety, aprendo jopói e potirõ,
tudo isso com ela eu faço: rio e choro, rezo e canto.
Com ela, eu sou o que falo: guarani.

A outra língua que tenho é a que sobrou
de uma guerra de muitas batalhas.
Ela trouxe a espada e a cruz, o livro e as imagens,
o sermão, o catecismo, a doutrina, as leis.
Ela me ensinou a aprisionar o som,
como quem pega a fumaça com a mão e a guarda no adjaká.
Com ela, aprendi riscar as letras,
e a desenhar as palavras no papel.
Quando saio da aldeia, é ela quem me ajuda.
Com ela, procuro escola e biblioteca, mercado e igreja,
posto de saúde e hospital, cartório e tribunal.
É com ela que me comunico com índios de outras línguas.
Com ela navego na internet,
descubro o pensamento do juruá,
caminho pelas ruas, leio as cidades, entro nos ônibus,
embarco e desembarco na rodoviária,
vendo o artesanato e converso com as pessoas.

Agora já não posso mais viver sem as duas.
Estou sempre trocando de língua com um pouco de medo,
como se fosse um caso de bigamia.

Uma língua sabe coisas que a outra desconhece,
acham graça uma da outra, fazem gozação e às vezes se zangam.
afora isso, elas se dão tão bem, que sonho nas duas ao mesmo tempo.

Às vezes, a palavra de uma soa engraçado na outra.
Às vezes, quero falar uma e me sai a outra.
Às vezes, quando me perguntam numa, respondo na outra.
Às vezes fico com uma delas tão engasgada que se permaneço calado
tenho a impressão de que vou explodir.

Algumas vezes elas se enredam e se entrelaçam uma na outra
e depois disputam uma corrida para ver quem chega primeiro,
e muitas vezes permanecem misturadas uma na outra
que me dá até vontade de rir.

Há dias em que as palavras não ditas me pesam tanto,
que eu libero todas elas, deixando-as voar como música,
com medo que fiquem enferrujadas as cordas que as sabem tocar.
Há dias em que quero traduzir uma para a outra,
mas as palavras se escondem de mim, fogem para bem longe
e gasto muito tempo correndo atrás delas.
Entre elas, dividem o meu mundo
e quando atravessam a fronteira se sentem meio perdidas
e não se cansam de roubar palavras uma da outra.
Ambas pensam,
mas há partes do coração em que uma delas não consegue entrar
e quando se aproxima da porta, o sangue se põe a jorrar com as palavras

Cada uma foi professora da outra:
o guarani nasceu primeiro e eu me habituei a dormir
embalado por sua suave sonoridade musical.
O guarani não tinha a letra, é verdade, mas era o dono da palavra falada.
Ensinou ao português os segredos da oralidade, guiando-lhe a voz.
Já o português, nascido na ponta dos meus dedos,
ensinou o guarani a escrever, porque este nunca havia freqüentado a escola.
Tenho duas línguas comigo
duas línguas que me fizeram
e já não vivo sem elas, nem sou eu, sem as duas.

* Participaram da elaboração do poema os seguintes professores guarani : Algemiro da Silva (Karai Mirim), Alessandro Mimbi da Silva (Vera Mirim) e Valdir da Silva (Vera Poty) da aldeia Sapukai; Sérgio Silva (Nhamandu Mirim), Darcy Nunes de Oliveira (Tupã) e Isaac de Souza (Kuaray Poty) da aldeia Itachim; Nirio da Silva (Karai Mirim) da Aldeia Araponga e Neusa Mendonça Martins (Kunhá Tacuá) da aldeia Rio Pequeno. Também os seguintes agentes de saneamento:Adílio da Silva (Kuara´y) e Aldo Fernandes Ribeiro (Karai Mirim) da aldeia Sapukai; Hélio Vae (Karai Tupã Mirim) da aldeia Itachim;Jorge Mendonça Martins (Wera) da aldeia Rio Pequeno e Vilmar Vilhares (Tupã) da aldeia Araponga. A tradução ao guarani foi revisada por Marcelo Werá, da aldeia Três Palmeiras (ES). Depois, o mesmo texto foi trabalhado com os Guarani em Faxinal do Céu (Paraná) pelos professores José R. Bessa e Ruth Monserrat. Os guaranis e não-guaranis agradecem a Amadeu Ferreira a generosidade em ceder o seu poema para ser trabalhado dessa forma.




FRASES DO POEMA

Traduzidas para o guarani

“Tenho duas línguas comigo, duas línguas que me fizeram / E já não vivo sem elas,nem sou eu sem as duas.”
Areko mokoi ayvu xere / Mokoi ayvu xeapo/ Ndaiko vei ma / A´e kuery e´? reve/ Ni xee ma xee´ ? / Mokoi e´? reve.
(Tradução: Adílio Kuaray Papa)

#8220;Uma língua nasceu comigo, no colo da minha mãe. / Uma língua sabe coisas que a outra desconhece.”
Petei ayvu oikuaa / Mba´e mo amboae ndoikuaai / Petei ayvu / Xegui ranhe oiko.
(Tradução: Alessandro Vera Miri)

“O guarani nasceu primeiro, e eu me habituei a dormir / embalado por sua suave sonoridade musical.”
Amongue py petei xeayvuxe / Amboae katy aa”.
(Tradução: Hélio Kuaray)

“Cada uma foi professora da outra.”
Mbya ayvu ma / Oiko voi ve / A´e xee ma / Ajepokuaa exe / Exe ve avi ake / Amboae kuery reve / Xeayvu katu aguã.
(Tradução: Darcy Tupã Kuaray)

“O português, nascido na ponta dos meus dedos, ensinou o guarani a escrever.”
Nhamboparaa ma / Oi juruá kuã re / Oikoramo ve / Ombo´e mbya/ Ombopara aguã.
(Tradução: Valdir Vera Poty)

“Queriam que eu dissesse o que não dizia / que eu calasse o que sabia.”
Oipota xeayvu / xeayvu xe´ ? re.
(Tradução: Jorge Vera)

“Fui obrigado a falar palavras estranhas de uma outra língua. Agora já não posso mais viver sem as duas.”
Ai gui maxemboayvu / Ayvu amboae py / Ai gui mandaiko vei ma / Mokoi e´ ? re.
(Tradução: Aldo Karai Miri)

“Com a língua portuguesa...caminho pelas ruas, leio as cidades, entro no ônibus.”
Petei ayvu / Xereve oiko va’e / Ha´i jyva a´i ry / Ai reve guare.
(Tradução: Nirio Karai Miri Tataendy)

“Há dias em que as palavras não ditas me pesam tanto...”
Amongue ara py ma / amongue ayvu / Ndaxeayvui ve / Anhenhandu vai jepi.
(Tradução: Izac Kuaray Poty)


A vida do índio

















O índio lutador,
Tem sempre uma história pra contar.
Coisas da sua vida,
Que ele não há de negar.
A vida é de sofrimento,
E eu preciso recuperar.

Eu luto por minha terra,
Por que ela me pertence.
Ela é minha mãe,
E faz feliz muita gente.
Ela tudo nós dar,
Se plantarmos a semente.

A minha luta é grande,
Não sei quando vai terminar.
Eu não desisto dos meus sonhos,
E sei quando vou encontrar.
A felicidade de um povo,
Que vive a sonhar.

Ser índio não é fácil,
Mas eles têm que entender.
Que somos índios guerreiros.
E lutamos pra vencer.
Temos que buscar a paz,
E ver nosso povo crescer.

Orgulho-me de ser índio,
E tenho cultura pra exibir.
Luto por meus ideais,
E nunca vou desistir.
Sou Pataxó Hãhãhãe,
E tenho muito que expandir.

Autor: Edmar Batista de Souza (Itohã Pataxó) 06/09/06

PRECE INDÍGENA

(Prece Indígena - Tradução e adaptação do Livro By San Etioy)

Um homem sussurou: Deus fale comigo.
E um rouxinol começou a cantar
Mas o homem não ouviu.

Então o homem repetiu:
Deus fale comigo!
E um trovão ecoou nos céus
Mas o homem foi incapaz de ouvir.

O Homem olhou em volta e disse:
Deus deixe-me vê-lo
E uma estrela brilhou no céu
Mas o homem não a notou.

O homem começou a gritar:
Deus mostre-me um milagre
E uma criança nasceu
Mas o homem não sentiu o pulsar da vida.

Então o homem começou a chorar e a se desesperar:
Deus toque-me e deixe-me sentir que você está aqui comigo…
E uma borboleta pousou suavemente em seu ombro
O homem espantou a borboleta com a mão e desiludido
Continuou o seu caminho triste, sozinho e com medo.

Dia 3 maio, Dia do Pau Brasil























O Pau Brasil floresce e suas flores têm um perfume delicioso.


O Dia do Pau-Brasil foi criado em dezembro de 1978 com a Lei 6.607, que definiu a espécie como Árvore Nacional e o 3 de maio como sua data comemorativa.

Devido à exploração predatória, desde o Descobrimento, dos milhões de exemplares que existiam no país restaram poucos nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia. A extração desenfreada dessa árvore nativa quase a levou a extinção. A cor avermelhada de sua madeira chamou a atenção naquela época, pois era considerada perfeita para tingimento de tecidos e também para a confecção de arcos de violinos, sem contar esculturas, mesas e santos.

Presente na lista oficial da flora brasileira ameaçada de extinção, desde 1992, o pau-brasil (Caesalpinia echinata Lam) também é conhecido por ibirapitanga, pau-vermelho, pau-de-pernambuco, arabutã, ibirapitã, muirapiranga, orabutã, pau-rosado e pau-de-tinta. O nome científico Caesalpinia é uma homenagem ao médico e botânico italiano Andrea Cesalpino, que viveu no século XVI. Echinata significa "cheio de espinhos" em latim, e Lam é a abreviatura de Lamarck que, em 1789, descreveu a espécie pela primeira vez.

As árvores se cobrem de flores amarelas de outubro a novembro, e podem atingir a até 30 metros de altura na floresta nativa. A madeira é muito pesada, lisa e dura e, por isso, muito cobiçada para a construção naval e marcenaria de luxo. Ainda hoje, com planos de manejo, o pau-brasil continua sendo usado na confecção de arcos de violino e exportado em pequenas quantidades.






Pau Brasil: árvore nacional












Verdura

De repente me lembro do verde
A cor verde é a mais verde que existe
A cor mais alegre, a cor mais triste
O verde que vestes o verde que vestistes
No dia em que te vi
No dia em que me vesti ...

........................Caetano Veloso


Caesalpinia echinata L.

A árvore nacional, o Pau Brasil, tem cor verde brilhante, roupagem difícil de ser confundida. O Pau Brasil, o verdadeiro: Caesalpinia echinata Lam., família Leguminosae, subfamília, Caesalpinioideae, em tupi 'ibirapitanga' quer dizer madeira vermelha.
A árvore alcança 10 a 15 metros de altura, tronco ereto de 25 a 40 cm, podendo chegar a 1 m de diâmetro, com acúleos nos ramos mais jovens (echinata - com espinhos), copa globosa ou redonda. As folhas são verde-brilhantes, bipinadas, folíolos opostos ou alternos?. As flores perfumadas, amarelo-ouro, têm 4 pétalas amarelas e uma menor de cor vermelha, floração em Outubro. Os frutos são vagens cobertas por espinhos finos e longos, contendo de 1 a 5 sementes redondas planas, de cor marrom, frutificação Outubro Novembro. A identificação mais correta e fácil são os folíolos alternos.





Pau-brasil - ramo com fruto aberto, após a dispersão das sementes
A tribo Fulni-ô de Pernambuco (nômade e antropófaga nos primórdios) tem uma característica única entre os povos indígenas: até hoje, através de rituais fechados, mantém viva sua língua máter.

ALGUNS DEPOIMENTOS DESSES INDÍGENAS:


"...na minha tribo, não acreditamos na igualdade entre as pessoas como fórmula para nos manter em paz. Lá nós ensinamos às gerações a aceitação das diferenças que nos tornam maravilhosos uns para os outros. Isso sim é a Paz para a minha tribo..."

"... quando branco me dizia que a felicidade não era eterna, mas feitas de momentos que devemos guardar na memória, eu não entendia nada. Na minha tribo, os mais velhos nos ensinavam a prestar atenção e cultivar momentos de tristeza, para que a felicidade de viver valesse a pena..."

"...não podemos ensinar ao branco como viver em paz com a natureza. Quem nos ensina isto é a própria natureza. O problema é que ela não usa palavras, mas o som das aves, do rio, do vento nas árvores. Quem tem prazer em viver sabe como escutar essa mensagem..."

"...minha mãe e meu pai faziam amor na minha frente. Nós não víamos o que voces, brancos, chamam de sexo naquele ato de amor. Para nós, aquilo era a preparação da criação do mundo, pois, entre nós, cada ser vivo que nasce, como a terra que nos dá o pão, recria o mundo com sua vida..."

"...estou muito feliz de estar aqui, com a oportunidade de falar minha língua como poesia. Ela é tudo que nos restou de bom e ela não deveria ser só nossa. Poderia ser de vocês também. Somos todos brasileiros e, para nós, desde que entramos em contato com o que os brancos chamavam de Brasil, ser brasileiro tornou-se muito importante para a tribo inteira. Apesar de estarmos sendo marginalizados, com problemas para manter viva nossa cultura ancestral, ser brasileiro é algo que nos dá muito orgulho e felicidade..."

Hino Nacional Brasileiro em Tupi


pintura de Rodval Matias

Hino Nacional Brasileiro em Idioma Tupi

Nheengarissáua Retamauára

Embeyba Ypiranga sui, pitúua,
Ocendu kirimbáua sacemossú
Cuaracy picirungára, cendyua,
Retama yuakaupé, berabussú.

Cepy quá iauessáua sui ramé,
Itayiuá irumo, iraporepy,
Mumutara sáua, ne pyá upé,
I manossáua oiko iané cepy.

Iassalssú ndê,
Oh moetéua
Auê, Auê !

Brasil ker pi upé, cuaracyáua,
Caissú í saarússáua sui ouié,
Marecê, ne yuakaupé, poranga.
Ocenipuca Curussa iepé !

Turussú reikô, ara rupí, teen,
Ndê poranga, i santáua, ticikyié
Ndê cury quá mbaé-ussú omeen.

Yby moetéua,
Ndê remundú,
Reikô Brasil,
Ndê, iyaissú !

Mira quá yuy sui sy catú,
Ndê, ixaissú, Brasil!

Ienotyua catú pupé reicô,
Memê, paráteapú, quá ara upé,
Ndê recendy, potyr America sui.
I Cuaracy omucendy iané !

Inti orecó purangáua pyré
Ndê nhu soryssára omeen potyra pyré,
ìCicué pyré orecó iané caaussúî.
Iané cicué, ìndê pyá upé, saissú pyréî.

Iassalsú ndê,
Oh moetéua
Auê, Auê !

Brasil, ndê pana iacy-tatá-uára
Toicô rangáua quá caissú retê,
I quá-pana iakyra-tauá tonhee
Cuire catuana, ieorobiára kuecê.

Supí tacape repuama remé
Ne mira apgáua omaramunhã,
Iamoetê ndê, inti iacekyé.

Yby moetéua,
Ndê remundú,
Reicô Brasil,
Ndê, iyaissú !

Mira quá yuy sui sy catú,
Ndê, ixaissú,
Brasil!

fonte: Site do Joubert
Raoni Kayapó Mentuktire, arte de Sérgio Macedo

Ceci e Peri



Brasil Colonial



D. Antonio Mariz, fidalgo português, recebe caçadores cheios de entusiasmo pelas aventuras em que irão tomar parte. Gonzales, comenta o amor de D. Álvaro por Ceci (Cecília), filha de D. Antonio. Este conta que sua filha foi presa pelos índios Aimorés e libertada por Peri, um índio Guarani, que é apresentado a todos. Em seguida, Ceci surge falando de sua felicidade por estar salva, quando seu pai anuncia seu casamento com D. Álvaro. Apesar de não gostar, Ceci cede ao pai. Peri e Ceci cantam os seus sentimentos apaixonados.
Peri revela saber que os caçadores querem apoderar-se dos bens de D. Antonio, colocando Ceci em risco. Ele jura protegê-la. Em seu quarto, à noite, Ceci canta a esperança de seu amor e adormece. Gonzales invade o aposento de Ceci e a obriga a acompanhá-lo. Ceci é salva por Peri. A casa é invadida pelos Aimorés em guerra. Ceci e Peri são feitos prisioneiros.
Na tribo para onde são levados o cacique apaixona-se por Ceci e quer poupá-la da morte. Peri toma um veneno porque, uma vez morto e servindo de alimento à tribo, conforme ritual de guerra, matará a todos. Quando chega a hora da morte de Peri, a aldeia é invadida pelos homens de D. Antonio, que travam intensa luta praticamente dizimando a população Aimoré.

X

Ceci chora pensando que Peri está morto por ter ingerido veneno.


Os caçadores tramam matar Peri que tinha tomado um antídoto para o veneno feito de ervas silvestres, e D. Antonio e raptar Ceci. D. Antonio pede a Peri que vá embora porque irá destruir os aventureiros. Peri concorda, desde que leve Ceci, salvando-a. D. Antonio permite desde que ele se torne cristão, com o que o guarani concorda.
Peri e Ceci vão embora numa canoa, enquanto D. Antonio explode a sua casa matando a todos os caçadores.
Esse é o enredo da Ópera "O Guarani" de Carlos Gomes, que estreou no Teatro Scala de Milão em 1870, e conta musicalmente a história da formação do povo brasileiro no período colonial. Moacyr nasce como nome próprio, filho de Ceci e Peri.

Oração do índio Sioux


Grande espírito cuja voz distingo nos ventos
E cujo sopro dá vida ao mundo inteiro,
Ouve-me...

Ponho-me na tua frente
Como um dos teus inúmeros filhos
Vê, sou pequeno, sou fraco,
Preciso da tua força
Preciso do teu saber.

Deixa-me caminhar na beleza
E deixa os meus olhos sempre contemplarem
O purpúreo por do sol

Que minhas mãos zelem
Pelas coisas que criastes
E que meus ouvidos ouçam
A tua voz

Fazei-me sábio, para eu aprender
As coisas que ensinastes ao meu povo
E que ocultaste em cada folha,
Em cada pedra.

Não desejo a força
Para impor-me aos meus irmãos
Desejo-a para poder lutar
Contra o meu inimigo
Eu próprio...

Fazei com que eu esteja sempre pronto
Para que eu possa ir ao teu encontro
De mãos limpas e olhos leais.

E quando o meu espírito se for
Assim como se vai o sol ao fim do dia
Possa ele chegar a ti
Sem precisar se envergonhar.

DIA DE ÍNDIO







Os indígenas têm um modo de vida diferente do nosso.

Eles são muito mais ligados à terra.





Não trabalham com o objetivo de juntar dinheiro, bens, nem nada desse tipo.

Trabalham em suas lavouras para garantir o sustento da aldeia; fora isso, alimentam-se dos frutos das árvores e dos animais que caçam.

Para os índios, a terra é muito importante, sagrada mesmo.

Não só porque é o lugar de onde tiram seu sustento, mas também porque é o que eles consideram como o lar deles.

Por isso a Constituição brasileira garante que as terras dos índios devem ser demarcadas (determinadas) pelo governo e devem ser respeitadas por todos.

Ás vezes esses direitos não são respeitados.

Alguns grandes proprietários de terras, madeireiros e garimpeiros tentam expulsar os índios de suas terras para explorá-las, e para isso, muitas vezes fazem uso de força bruta para tirá-los de lá.

A situação dos índios é grave em várias regiões, e infelizmente muitas comunidades indígenas já perderam grande parte de seus territórios.





Nas aldeias normalmente existem duas pessoas muito importantes na organização: o pajé e o cacique.

O cacique é o chefe da tribo, e o pajé é o sábio, o qual conhece a cura para as doenças e se comunica com os deuses.

Os índios acreditam em forças maiores: na natureza, em deuses e nos espíritos de seus ancestrais.

Cada sociedade indígena cria suas próprias explicações a respeito do mundo, dos fenômenos naturais, dos espíritos e dos seres sobrenaturais.


CRIANÇAS





Assim como em qualquer sociedade, os índios também constroem brinquedos para seus filhos.

Os mais comuns são feitos de palha, madeira ou barro. Os adultos fabricam para as crianças dobraduras de palha, representando os animais da floresta.

Em geral, os brinquedos são miniaturas de objetos usados na sociedade e, além de fazerem as crianças se divertir, esses objetos as educam para as tarefas que terão de realizar quando se tornarem adultas.

Na maioria das aldeias, não existe videogame nem outros joguinhos eletrônicos, mas as crianças devem se divertir um bocado brincando com seus brinquedos de palha, subindo nas árvores e brincando com os animais, não é mesmo?

Até aprenderem a andar, os bebês vivem aconchegados a suas mães, numa espécie de bolsa que as mães prendem no corpo para carregá-los.

As crianças pequenas, de até 3 ou 4 anos, brincam com outras crianças e com seus brinquedos. Mas estão sempre próximas às mães, pois costumam mamar nelas até essa idade.

É comum, também, que uma irmã mais velha, adolescente, tome conta das crianças menores.

Desde novinhas, as crianças vão aprendendo as atividades que terão de desenvolver quando forem adultas. As meninas aprendem a: plantar, colher, carregar lenha, preparar alimentos e bebidas fermentadas, fiar algodão, confeccionar redes e cerâmica.

Já os meninos aprendem a: preparar o terreno para o plantio, caçar, confeccionar arco e flecha, fazer cestas e enfeites de plumas e construir casas.

Nas culturas indígenas, cabe aos pais a orientação nas tarefas e comportamentos que a comunidade julga corretos.

As crianças devem brincar e ter a mãe sempre por perto para protegê-las.

Os pais jamais devem levantar a voz, brigar ou bater em seus filhos; devem educar com autoridade, para desenvolver na criança a atenção, a observação e a importância da repetição de uma tarefa até a sua plena aprendizagem.

Nas tribos é dever de todos fazer a criança crescer com responsabilidade e respeito às regras da comunidade. Legal, hein?!


HÁBITOS INDÍGENAS




Você sabia que vários dos nossos hábitos são herdados da cultura indígena?

Um dos costumes mais importantes é o de tomar banho todos os dias.

Em outras culturas, como na dos países europeus, é comum as pessoas passarem dias sem tomar banho.

Que bom que os índios nos ensinaram isso, né? Assim somos um povo bem cheirosinho!

Também aprendemos com eles o uso de chás e plantas medicinais para curar doenças.

E como os índios têm muito conhecimento de ervas e plantas, muitos dos remédios que compramos hoje nas farmácias tiveram suas fórmulas baseadas em chás indígenas.

É influência deles também a utilização de redes para dormir, as várias danças, principalmente as da região Norte do Brasil.

E ainda várias canções e lendas do folclore brasileiro.

VIDA DE ÍNDIO


A repórter Xereta entrevistou alguém muito especial para a nossa reportagem: a índia Maria Helena Sarapó, que estava de passagem por Brasília.

Nossa entrevistada mora na tribo dos Fulni-ô, uma aldeia de 6 mil índios no interior do Pernambuco, e contou como é a vida em sua aldeia.

Você vai ver que ela é gente como a gente.

Como é a vida na sua tribo? O que vocês fazem no dia-a-dia?

A gente faz artesanato, cozinha e busca lenha no mato.

Os homens caçam e fazem artesanato também: arco, flecha e lança.

As crianças de manhã vão para a escola aprender português, e de tarde vão para a escola da nossa língua, o Iatê.

Normalmente ficamos mesmo na aldeia, mas no final de agosto a gente vai para a reserva passar três meses, onde praticamos nossos rituais e ensinamos às crianças as tradições da tribo.

A escola consegue atender a todas as crianças da tribo?

Sim, a escola tem 10 salas de aula, e todas as crianças estudam.

A tribo tem energia elétrica?

Na aldeia temos energia elétrica, sim, e também televisão, som, escola de computação, telefone e água encanada. Mas na reserva, que é uma área mais isolada, só tem água encanada; não tem energia porque o cacique prefere que não tenha, lá a luz é de lampião.

A escola de computação é para toda a comunidade?

Sim, para toda a aldeia, e tem acesso à internet. Só que são 10 computadores para a aldeia toda (de 6 mil índios).

Que tipo de brinquedos as crianças têm na tribo?

Os pais fabricam brinquedos, mas eles recebem muita doação de bola, carrinho e outros brinquedos.

Alguns índios têm mais condição e compram para os próprios filhos.

Alguns índios da minha aldeia são funcionários da prefeitura e do estado.

Esses têm mais condição, porque têm salário certo. Os que não têm, vivem das plantações, do artesanato e de doações.

Em que idade as crianças começam a ser consideradas adultas na tribo?

As meninas são consideradas adultas depois da menstruação, e os meninos, a partir dos 13 anos.

As crianças trabalham? Ajudam na plantação?

Só quando elas têm um tempinho, mas sempre a escola está em primeiro lugar.

O que a senhora acha de mais importante que os índios devem reivindicar?

A terra, pois as reservas não têm espaço suficiente.

A nossa área é de 11 mil hectares.

Antigamente era de 53 mil hectares, mas o branco foi tomando e só ficaram 11 mil.

É muito apertado para mais de 6 mil índios. Porque a gente planta muitas coisas: milho, feijão, algodão, verduras, frutas.

Para a senhora, qual a importância de ter um dia dedicado aos índios?

É bom para as pessoas lutarem pelos direitos dos índios, porque ainda tem muita gente que não gosta de índio.

Seria bom se as pessoas entendessem e apoiassem, porque de vez em quando tem questão de terra, com gente querendo tomar.

Até índio queimado já mataram aqui mesmo em Brasília (o índio Galdino Jesus dos Santos foi queimado por cinco jovens enquanto dormia num ponto de ônibus, em 20 de abril de 1997) .

Que mensagem deixaria para as crianças?

Eu falaria para as crianças não seguirem maus exemplos, que elas seguissem sempre bons exemplos, porque quando a pessoa é criada vendo bons exemplos ela vai fazer boas ações.

Vendo televisão, a gente vê tanta coisa ruim, mas quem tem um coração bom vai tentar ajudar para que o mal não aconteça mais.

Eu queria que as crianças crescessem tendo paz no coração.

Recado dado, né, pessoal? Os índios têm muito o que nos ensinar!





MUSEU DO ÍNDIO

O Museu do Índio tem um link em seu site totalmente dedicado às crianças.

Lá você pode encontrar historinhas muito legais sobre a natureza, brincadeiras das crianças das tribos, desenhos para colorir, receitas bem gostosas e ainda muitas outras novidades.

Muito bacana! Não perca tempo. Visite o site do Museu do Índio.


*fonte:http://www.plenarinho.gov.br/brasil/Reportagens_publicadas/todo-dia-era-dia-de-indio

A força da mulher indígena






















Tem sido dito que a posição da mulher é o teste da civilização, e isso nas nossas mulheres era seguro. Nelas, estava investido nosso padrão de moral e a pureza de nosso sangue. A esposa não recebia o nome do marido sequer entrava para seu clã, e as crianças pertenciam ao clã da mulher.

Toda a propriedade da família era mantida por ela. A descendência era traçada na linha
materna, e a honra da casa estava em suas mãos. A modéstia era seu adorno-chefe; consequentemente a mulher mais nova era normalmente silenciosa e reservada, mas uma mulher que tivesse atingido a maturidade dos anos e a sabedoria, ou que tivesse demonstrado uma coragem notável em alguma emergência, era às vezes convidade para sentar-se junto com o conselho.


Desta forma ela comandava de forma incontestável dentro de seu próprio domínio, e era para nós uma torre de força moral e espiritual, até a chegada à fronteira do homem branco, o soldado e o comerciante, que com bebidas alcoólicas destruiu a honra do homem, e através de seu poder sobre um esposo indigno comprava a virtude de sua esposa ou de sua filha. Quando a mulher caiu, a raça toda caiu com ela.




Antes que esta calamidade caísse sobre nós, você não conseguiria encontrar em nenhum
lugar um lar mais feliz do que aquele criado pela mulher indígena. Não havia nada de artificial sobre sua pessoa, e muito pouca falsidade em seu caráter. Seu treinamento precoce e consistente, a determinação de sua vocação, e, acima de tudo, sua atitude profundamente religiosa, deu a ela a força e estabilidade que não poderia ser superada por nenhum infortúnio

A mulher Cherokee na época da descoberta das Américas tinha mais direitos e privilégios do que a mulher casada de hoje. As mulheres não somente possuíam a propriedade, participavam tanto das batalhas nas guerras e dos conselhos de guerra, mas também sentavam-se com os concelhos civis de paz.

A linhagem era traçada através de seu clã. No casamento, no novo esposo deveria viver com o Clã de sua esposa. Para obter um divórcio, a esposa simplesmente colocava os pertences pessoais para fora da porta da tenda. Não havia nenhum tipo de embaraços legais sobre a divisão da propriedade ou a custódia das crianças, pois toda a propriedade de qualquer valor já pertencia a ela, e as crianças pertenciam ao clã.






As mulheres de hoje têm percorrido um longo caminho para alcançar o seu "lugar ao sol", mas não alcançaram ainda a posição da mulher Cherokee à época da descoberta.

The Soul of the Indian
Dr Charles Alexander Eastman, 1911
born Ohiyesa of the Santee Sioux, in 1858


O xamã lakota Archie Fire Lame Deer, afirma que em seu povo nada é mais respeitado, colocado em mais alta posição, que uma mulher. Aqueles que seguem a linha da cura também são educados por suas avós.

As avós falam de Isnat Winyan, a mulher que vive só. É o momento da menstruação, o tempo da
Luz, que dura em média quatro dias. Então, a mulher menstruada era conduzida a uma cabana especial, Isnatipi, onde as anciãs estavam lá para educar-las nesse momento de meditação e orações. Elas falam sobre a forma de orar.(a carta do Caminho Sagrado, a Tenda da Lua de Jamie Sams, explica bem isso). É reconhecido também como um período de descanso

Quando uma mulher ficava menstruada, não devia tocar seus filhos, fazer comida ou sequer tocar nos alimentos. Elas iam rezar, dando conta que o tempo da Lua é um momento espiritual, o mais espiritual da vida de uma mulher. É o momento em que ora, medita, recebe visões e sonhos. É um momento de poder!

Durante seus anos de fertilidade uma mulher não precisava ir até as montanhas para a Vision Quest, a busca da visão. A menstruação era o seu momento de purificação e preces.

Em todo o ser humano tem um lado positivo e outro negativo. Na história espiritual de nós brancos, na sua maioria, o lado negativo é considerado um pecado, e se você pecar muito vai para o inferno. Os índios consideram isso de forma diferente. Eles vem que o positivo pode advir do negativo e vice e versa. Cada lado se dá em um momento. As mulheres são mais afetadas espiritual, física, mental e emocionalmente pela posição da Lua.

Durante a menstruação opera-se uma alternância entre as forças positivas e negativas. Para
compreender melhor vamos lembrar que o sentido das energias se dá em círculos no sentido horário. Na energia elétrica circula o negativo e o positivo. Em homens e mulheres a energia circula do negativo ao positivo.

As mulheres nascem com uma relação estreita com o ciclo lunar, e toma conhecimento disso na
primeira menstruação, cujo momento depende portanto do momento do nascimento, da posição da Lua e do ciclo lunar. Durante a menstruação a Lua acelera o ritmo do corpo.

Durante a menstruação as mulheres recebem muito. São mais fortes espiritualmente que os homens. A presença da mulher nesse estado pode tirar parte do poder do homem religioso, se ele não se prepara convenientemente para esse período, principalmente com ritos de purificação.

Quando a Mulher Búfalo Branco trouxe o Cachimbo Sagrado, ensinou a mulher a ficar afastada de todos os instrumentos cerimoniais, incluindo plantas curativas, no período de menstruação, podendo utilizar apenas a Sálvia. A raiz de anis é utilizada no final das regras para purificar o organismo, permite dormir bem.


Recebido de Léo Artese

Uma lenda dos índios Sioux
























Consta uma velha lenda dos índios Sioux, que uma vez, Touro Bravo, o mais valente e honrado de todos os jovens guerreiros, e Nuvem Azul, a filha do cacique, uma das mais formosas mulheres da tribo, chegaram de mãos dadas, até a tenda do velho feiticeiro da tribo.

-Nós nos amamos… e vamos nos casar, disse o jovem.E nos amamos tanto que queremos um feitiço, um conselho, ou um talismã…alguma coisa que nos garanta que poderemos ficar sempre juntos…que nos assegure que estaremos um ao lado do outro até encontrarmos a morte. Há algo que possamos fazer ?

E o velho emocionado ao vê-los tão jovens, tão apaixonados e tão ansiosos por uma palavra, disse :

- Tem uma coisa a ser feita, mas é uma tarefa muito difícil e sacrificada… Tu, Nuvem Azul, deves escalar o monte ao norte dessa aldeia, e apenas com uma rede e tuas mãos, deves caçar o falcão mais vigoroso do monte…e trazê-lo aqui com vida, até o terceiro dia depois da lua cheia.

E tu, Touro Bravo, continuou o feiticeiro, deves escalar a montanha do trono, e lá em cima, encontrarás a mais brava de todas as águias, e somente com as tuas mãos e uma rede, deverás apanhá-la trazendo-a para mim, viva !

Os jovens abraçaram-se com ternura, e logo partiram para cumprir a missão recomendada… No dia estabelecido, à frente da tenda do feiticeiro, os dois esperavam com as aves dentro de um saco.

O velho pediu, que com cuidado as tirassem dos sacos… e viu que eram verdadeiramente formosos exemplares…

-E agora o que faremos? perguntou o jovem, as matamos e depois bebemos a honra de seu sangue ?

-Ou cozinhamos e depois comemos o valor da sua carne? propôs a jovem.

-Não ! disse o feiticeiro, apanhem as aves, e amarrem-nas entre si pelas patas com essas fitas de couro…quando as tiverem amarradas, soltem-na,para que voem livres …

O guerreiro e a jovem fizeram o que lhes foi ordenado, e soltaram os pássaros… A águia e o falcão, tentaram voar mas apenas conseguiram saltar pelo terreno. Minutos depois, irritadas pela incapacidade do vôo,as aves arremessavam-se entre si, bicando-se até se machucar.

E o velho disse :

-Jamais esqueçam o que estão vendo..este é o meu conselho. Vocês são como a águia e o falcão…se estiverem amarrados um ao outro,ainda que por amor, não só viverão arrastando-se, como também, cedo ou tarde, começarão a machucar-se um ao outro…

Se quiserem que o amor entre vocês perdure…

Autor Desconhecido

Reflexão Sioux




























Tudo o que o Poder do Mundo
Faz, é feito em círculo.
O Céu é redondo e ouvi dizer
que a Terra é redonda como uma bola,
assim como todas as estrelas.
O vento, quando se mostra no máximo de sua força, gira.
Os pássaros fazem seus ninhos em círculos,
pois a religião deles é a mesma que a nossa.
O Sol nasce e se põe também em círculo.
A Lua faz o mesmo e ambos são redondos.
Até as estações formam um grande círculo
em sua passagem e sempre voltam para onde estavam.
A vida de um homem é um círculo da infância até a infância.
E assim é em tudo onde se movimenta o poder.

Por Alce Preto, Oglala Sioux - 1863-1950

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Um índio, ao nascer, torna-se parte da natureza.

Festeja o plantio, a colheita, a chuva ,o nascimento;

Respeita a terra, a vida e seus antepassados.

O índio usa enfeites , canta , dança , caça , brinca , ri ...

Ele consegue enxergar a beleza da simplicidade da vida.

Nana Pereira

domingo, 7 de setembro de 2008

Caboclinho









































Caboclinho é uma dança de origem indígena. Talvez a mais antiga do Brasil, pois seu primeiro registro data de 1584, quando citado pelo Padre Fernão Cardim no seu livro "Tratado e Terra da Gente do Brasil".

Caboclo no Nordeste significa a mistura de índio com branco, e caboclinhos são os filhos dos caboclos.

A dança representa batalhas, caçadas e colheitas. A música, leve e ligeira, é executada por pífanos, reco-recos e ganzás, acompanhada pelos estalidosque os dançarinos fazem com seus arcos e flexas.

As coreografias são muito ricas, com passos que exigem desenvoltura e excelente forma física.,




As figuras da dança são:Cacique, Índia-Chefe, Capitão, Tenente, Perós(meninos e meninas), Porta-Estandarte, Caboclos de Baque(músicos), Caboclos e Caboclas.


A música, leve e ligeira, é executada por pífanos, surdos e maracás, com reco-recos e ganzás a eles se incorporando, eventualmente. Marcando o ritmo, os dançarinos utilizam os estalidos secos das " preacas", conjuntos de arco e flecha.


A indumentária utilizada pelos Caboclinhos, ricamente enfeitadas com penas, é composta por saiotes, cocares (enfeites de cabeça) e ataca nos punhos e tornozelos, todos de pena de ema, avestruz ou pavão, além de colares com dentes de animais e pequenas cabaças presas à cintura.

DANÇA DO BUZO





A tradição foi resgatada pelos jovens do povo pankararu, em Tacaratu, através de relatos dos membros mais velhos da aldeia. Eles formaram o Grupo de Dança Indígena Pankararu e passaram a divulgar o costume. Os passos são diferentes do toré e os integrantes não dançam em círculo. O grupu misturou a dança do buzo com a dança da lança e utilizou a gaita e o rabo de tatu como instrumentos musicais. O resultado é muito vibrante. Segundo as lideranças do povo, a dança é de origem pankararu.











Ouricuri





















Presente em alguns povos, como os fulni-ô, kambiwá e pipipã, o ritual representa um retiro religioso para os índios. A prática é realizada secretamente e, diferentemente de outros rituais, não permite a participação do não índio. No caso dos fulni-ô, de Águas Belas, o ouricuri acontece todos os anos entre os meses de setembro, outubro e novembro. Até quem mora longe comparece ao evento. Durante 90 dias, todos os índios se mudam para a aldeia Ouricuri, lugar considerado sagrado por eles. Poucas informações são divulgadas sobre o que acontece no local durante o evento. Sabe-se, por exemplo, que as relações sexuais e a ingestão de bebidas alcóolicas são proibidas. Existe um juazeiro sagrado (foto), utilizado para fazer promessas. Muitos atribuem ao ritual a força de união do povo. Os kambiwá e pipipã realizam o ouricuri na Serra Negra, em Floresta. Devido a conflitos entre os povos, os kambiwá passaram dois anos sem ir no local para evitar confronto com os pipipã.

Jurema


Cerimônia religiosa na qual os índios costumam ingerir uma bebida extraída da juremeira – a jurema ou vinho do anjucá. Ela é considerada alucinógena e atuaria como elemento de comunicação com os ancestrais. Praticamente todos os povos do Nordeste possuem essa tradição. O trabalho da "mesa da jurema" é denominado pelas etnias como "ciência de índio". O ritual tem o objetivo de curar doentes, afastar mau olhado ou receber conselhos dos antepassados. A maioria dos povos guarda os detalhes da prática em segredo. A receita da jurema, por exemplo, dificilmente é revelada. Sabe-se, no entanto, que existem vários tipos da planta, mas geralmente a preta ou a "braba", como eles se referem, é utilizada para a cerimônia. Os índios ficam sentados ao redor do altar no chão, onde também é colocada uma cumbuca com fumo de várias ervas. Em seguida, as entidades são invocadas através dos toantes, que, falam sobre o tempo em que os antepassados habitavam os territórios.

Praiá



















Os pankararu e kambiwá acreditam na força encantada presente nos escolhidos para vestir os fardamentos (feitos da cabeça aos pés da fibra do caroá), que escondem a identidade e fazem aumentar o mistério da prática. Quando realizam promessas, os índios têm que pagá-las, promovendo uma festa com oferendas. No povo kambiwá, o ritual é realizado uma vez por mês, no período da lua cheia. O povo pankararu (foto) realiza eventos ao longo do ano que contam com a participação dos praiás, a exemplo da corrida do umbu, que ocorre no mês de março quando eles encontram o primeiro umbu maduro, simbolizando o início da safra; e do menino do rancho, uma espécie de rito de iniciação. É também no período da corrida do umbu que os índios fazem, paralelamente, a queimação da cansanção, um tipo de urtiga braba que é utilizada como autoflagelo. Quando não são realizados os rituais, os fardamentos são guardados em um lugar sagrado chamado de póro.

Toré




















O ritual é considerado o símbolo maior de resistência dos povos indígenas do Nordeste. Ele é realizado geralmente de 15 em 15 dias, tanto com o objetivo religioso quanto festivo, de comemoração. À primeira vista, pode ser percebido como uma dança, que varia de ritmos e linhas (toadas) em cada povo. O maracá dá o tom das pisadas e os índios dançam, em geral, em círculo. O toré também tem sentidos diferentes e podem ser celebrados para homenagear autoridades ou visitas; como instrumento político, em exibições públicas nas cidades onde as aldeias estão localizadas para reafirmar a coletividade perante a sociedade; e também com função religiosa, de penitência, resgate dos antepassados e relação com a natureza. No povo pipipã, quando alguém da aldeia morre, a comunidade se resguarda e passa o período de um mês sem realizar o toré no terreiro, como uma forma de homenagear aqueles que se foram.

Conheça um pouco mais sobre os povos indígenas

Conheça um pouco mais sobre os povos participantes

Foto: Idec/Divulgação
Pankararu
Os Pankararu são originários da aldeia Brejo dos Padres, que fica entre as cidades de Jatobá e Tacaratu, no Sertão de Pernambuco. A agricultura é sua principal ocupação e vivem em luta constante pela sobrevivência por conta dos prolongados períodos de seca. A população Pankararu é de sete mil pessoas.

Fulni-ô
Os Fulni-ô vivem no município de Águas Belas, no Agreste do Estado. Apesar da proximidade com a cidade e do contato com a população urbana há mais de 300 anos, a tribo ainda conserva a língua materna – o Yaathe - e as cerimônias espirituais. Ao todo, são sete mil pessoas que não possuem terras demarcadas, mas todos os anos se isolam do mundo contemporâneo num tempo de reclusão espiritual no ritual do Ouricuri.

Xavante
O povo Xavante se autodenomina A´uwê Uptabi, que significa gente verdadeira. A população total é de 28 mil pessoas, sendo cerca de 400 pessoas na Aldeia Etenhiritipa, localizada na terra Indígena Pimentel Barbosa, no Mato Grosso. O povo é guerreiro e caçador, se pinta com jenipapo, carvão e urucum, tira as sobrancelhas e os cílios, usa cordinhas nos pulsos e pernas e uma gravata cerimonial de algodão. O corte de cabelo, os adornos e as pinturas são outras características marcantes da identidade ao povo Xavante.

Foto: Idec/Divulgação
Mehinaku
O povo Mehinaku vive há milhares de anos no mesmo lugar, às margens do Rio Curusevo, na aldeia Uiaipiuku, localizada no Parque Indígena do Xingu - Mato Grosso. São, ao todo, 230 pessoas, sendo 106 nessa aldeia, mas na época dos primeiros contatos, em 1940, quase foram extintos. Sobreviveram firmando casamentos com outros povos do Xingu, construindo uma cultura nova e enriquecida por várias influências.

Pajelança

















As cerimônias acompanham-se sempre de cantos e danças para divertir os espíritos. Os cantos são melodias folclóricas conhecidas; as danças, exercícios mímicos, com rugidos e uivos imitativos dos animais invocados.
Nas suas reuniões, o Pajé e as demais pessoas presentes bebem o tafiá (cachaça),
enquanto o chefe dirigente se prepara para atender aos consulentes.

Após a invocação dos encantados que baixam, é feita a indagação da causa dos males
que afligem este ou aquele filho. É também procurada a puçanga (receita) indicada para
cada caso.

Os encantados que receitam, geralmente, são almas de animais que encarnam no Pajé.
Caso esse encantado não conheça o remédio eficaz, indica qual o meio a seguir.

O pajé sua sempre na mão o maracá e um feixe de plumas de ema. O único instrumento
musical usado na Pajelança é o maracá que se transformam em instrumento mágico
quando manejado por ele.

Música instrumental













É nas festas dedicadas aos Apapaatai, uma classe de poderosos espíritos, que acontece a maior parte da música instrumental. As festas Apapaatai têm como motivo essencial a cura xamânica .

Dentre toda a música instrumental indígena as peças para as flautas sagradas ocupam uma posição de destaque. Estas flautas são elementos fundamentais na cosmologia xinguana, o que é expresso concretamente pela existência de uma casa das flautas, onde são guardadas, casa que é também chamada de casa dos homens, um espaço exclusivamente masculino localizado sempre no centro das aldeias. Seu uso está cercado de tabus. Quando são tocadas as mulheres e crianças se fecham em suas casas. Se uma mulher vê os instrumentos, é penalizada com um estupro coletivo.

O repertório para as flautas é, entre algumas culturas, altamente sofisticado, compondo suítes completas, sendo que apenas uma suíte é tocada em cada ocasião, embora às vezes de forma incompleta. Todas as suítes têm uma ordem ideal, mas esta, freqüentemente, é modificada durante a sessão. Se constróem através do princípio da alternância entre um eixo horizontal (melódico) e um vertical (sucessões de solos pontuais e trechos com partes simultâneas). Cada suíte é caracterizada por um contorno melódico e não por uma seqüência exata de intervalos, e cada peça é formada por um tema repetido sem alterações durante vários minutos.

A cultura indígena é basicamente oral.

A cultura indígena é basicamente oral, nela a música é uma extensão da fala, e seus limites às vezes são sutis e imprecisos. Um discurso pode acabar em canto, ou o inverso. Dentre as espécies vocais, existem subdivisões de acordo com o objetivo de cada canção:

* Narrativas: falas com diferentes graus de formalidade, desde as cotidianas entoadas por qualquer pessoa até as falas restritas a homens adultos executadas na praça central.

* Instrutivas: narrações veiculando regras, costumes e tradições, transmitidas através do canto ou prédica emocional pelos adultos a crianças, ou relatando de expedições de caça e narrativas míticas. A vocalização é muito flexível e expressiva, e o cantor serve-se de recursos tonais, timbrísticos, fonéticos e rítmicos para dar sentido a seu enunciado.

* Canções: identificadas por seus conteúdos textuais, os quais é freqüente se referirem a algum animal e a seu comportamento, sendo que na ação ritual as identidades do cantor e do animal são combinadas. Muitas se referem ao amor e ao prazer sexual de modo desinibido, feliz e direto. Freqüentemente se transita entre a cantoria e a narrativa gestualizada não-musical.

* Invocações: executadas, geralmente em voz baixa, com fins práticos ou medicinais.

Medicina Indígena

O médico dos índios se chama pajé. Existe um ritual realizado por ele, que se comunica com o mundo sobrenatural. Por meio dessa comunicação, as pessoas acreditam que ele cura os males do corpo e da alma.

Durante o ritual, o pajé dança e canta com maracá na mão, enquanto puxa o cigarro de tauari. Só assim, ele se comunica com o sobrenatural. O pajé é escolhido por sua sensibilidade e sabedoria em lidar com ervas.

Remédios que os índios se curam, tem o pó de guarána que é usado com tônico, estomácico, estimulante, etc, tem também o óleo de copaiba é utilizado por suas propriedades medicinais, no combate aos catarros vercicais e pulmares.









Os índios vivem em aldeias e, muitas vezes, são comandados por chefes, que são chamados de cacique, tuxánas ou morubixabas. A transmissão da chefia pode ser hereditária (de pai para filho) ou não. Os chefes devem conduzir a aldeia nas mudanças, na guerra, devem manter a tradição, determinar as atividades diárias e responsabilizar-se pelo contato com outras aldeias ou com os civilizados. Muitas vezes ele é assessorado por um conselho de homens que o auxiliam em suas decisões.
O pajé é uma espécie de curandeiro e conselheiro espiritual.

Artesanato

De acordo com suas necessidades de sobrevivência, os índios produziam material de preparo alimentício, caça, pesca, vestimenta, realizavam festas culturais e comemorativas, construíam abrigo e transporte com materiais tirados da natureza, sem prejudicá-la.


Os índios produziam vários artesanatos, como:

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Flecha e arco para caça e pesca
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Ralo para ralar mandioca
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Tipiti para espremer a massa da mandioca
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Balaios e Urutus para guardar a massa, farinha, tapioca, beiju, frutas entre outros
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Peneira para peneirar a massa seca para fazer farinha e beiju, tapioca ou curadá
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Cumatá especial para tirar goma de massa
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Abano para virar e tirar o beiju do forno feito de argila
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Bancos
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Pilão para moer a carne cozida, peixe moqueado, pimenta e outros sempre torrados
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Pulseiras
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Anéis de caroço de tucumã
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Cesto e Peneira de cipó para carregar e guardar mantimento
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Zarabatana para caça especial de aves
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Japurutu, Cariçu e Flauta, instrumentos musicais entre outros cada um com seu específico som harmonioso
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Cerâmicas para fazer pratos, panelas, botija de cerâmica para fabricação de bebidas alcoólicas especiais e outros ornamentos para momentos de festas.

Arte
























A arte se mistura à vida cotidiana. A pintura corporal, por exemplo, é um meio de distinguir os grupos em que uma sociedade indígena se divide, e como enfeite. A tinta vermelha é extraída do urucum e a azul, quase negro, do jenipapo. Para a cor branca, os índios utilizam o calcário. Os trabalhos feitos com penas e plumas de pássaros constituem a arte plumária indígena.
Alguns índios realizam trabalhos em madeira. A pintura e o desenho indígena estão sempre ligados à cerâmica e à cestaria. Os cestos são comuns em todas as tribos, variando a forma e o tipo de palha de que são feitos. Geralmente, os índios associam a música instrumental ao canto e à dança.